Enquanto circula uma petição a pedir a demissão do Presidente da República da qual já constam 7 mil assinaturas, Cavaco Silva escusa-se das suas declarações in Público:
“Não foi obviamente meu propósito eximir-me aos sacrifícios que os
portugueses estão a fazer nos dias de hoje, tendo mesmo insistido que o
meu caso pessoal não estava em questão”, refere Cavaco Silva numa
declaração por escrito enviada à Lusa, e em resposta às questões
colocadas sobre as declarações que proferiu na sexta-feira acerca das
suas pensões.
Reconhecendo que, face à questão que lhe tem “sido
colocada insistentemente” sobre as pensões que aufere, não terá sido
“suficientemente claro quanto à intenção do que queria transmitir”,
Cavaco Silva esclarece que a sua intenção foi de ilustrar, com o seu
próprio exemplo, que acompanha a situação dos portugueses que atravessam
dificuldades.
Na sexta-feira, durante uma visita ao Porto,
Cavaco Silva foi questionado pelos jornalistas sobre o facto de poder
receber subsídio de férias e de Natal pelo Banco de Portugal, tendo
explicado que, “tudo somado” - o que vai receber do Fundo de Pensões do
Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações - “quase de certeza
que não vai chegar para pagar” as despesas, recordando que não recebe
“vencimento como Presidente da República”.
“Tudo somado, o que
irei receber do Fundo de Pensões do Banco de Portugal e da Caixa Geral
de Aposentações quase de certeza que não vai chegar para pagar as minhas
despesas porque como sabe eu também não recebo vencimento como
Presidente da República”, disse.
“Mas não faço questão quanto a
isso porque com certeza existem outros portugueses na mesma situação.
Felizmente, durante os meus 48 anos de casado, eu e a minha mulher fomos
sempre muito poupados e fazíamos questão de todos, todos os meses
colocar alguma coisa de lado e portanto agora posso gastar uma parte das
minhas poupanças e é por isso que eu não faço questão quanto a isso”,
enfatizou.
Relativamente àquilo que irá receber da Caixa Geral
de Aposentações, o chefe de Estado disse ter descontado “quase 40 anos”
como professor universitário e também alguns anos como investigador da
Fundação Calouste de Gulbenkian.
“Irei receber 1300 euros por mês. Não sei se ouviu bem: 1300 euros por mês”, declarou, sobre a Caixa Geral de Aposentações.
Quanto
ao Fundo de Pensões do Banco de Portugal, para o qual descontou durante
quase 30 anos, Cavaco Silva disse que ainda não sabe quanto é que vai
receber.
“Mas os senhores não terão dificuldade. Eu fui um funcionário de nível 18, que exerceu funções de direcção”, observou.
Durante
o fim-de-semana sucederam-se as críticas às afirmações de Cavaco Silva,
nomeadamente da parte do PCP e do BE, do presidente do Governo regional
dos Açores Carlos César e de personalidades como os seus adversários
nas eleições presidenciais de 2011, o socialista Manuel Alegre, o
independente Fernando Nobre e o comunista Francisco Lopes.
Em finais de Janeiro de 2011, depois da aprovação da legislação que pôs
termo à acumulação de pensões com vencimentos do Estado, Cavaco
prescindiu do seu vencimento de Presidente da República, no valor de
6523 euros (brutos).
Segundo foi noticiado na altura, o
Presidente da República acumula duas pensões, a de professor catedrático
na Universidade Nova de Lisboa e a de reformado do Banco de Portugal,
que totalizavam, antes dos cortes nas pensões de reforma, cerca de 10
mil euros mensais (brutos).
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